sábado, 28 de dezembro de 2013

Praia no Fim de Ano: A Saga




Como explicar essa estranha fascinação que uma praia exerce sobre um paulistano estressado numa véspera de feriado prolongado? 
Como explicar que para poder desfrutar dos inúmeros prazeres dessa areia prometida, uma pessoa será capaz de enfrentar horas e horas de um trânsito infernal, com a promessa de se "desestressar" no litoral.
Talvez seja um sonho antigo do ser humano, de se imaginar numa praia deserta, tranquila, ouvindo apenas os sons da natureza, das ondas quebrando na areia, com o sol nos aquecendo, respirando aquela brisa do mar...mas longe disso, depois da provação do trânsito caótico da descida e dos assaltantes na beira da estrada parada, ainda teremos que enfrentar o congestionamento na fila da padaria e o racionamento da água.
Chegamos a praia mais cansados do que estávamos ao sair de casa: o sol matador e a maresia causam um delicioso mal estar, principalmente para quem sofre de pressão baixa como eu, que iremos aliviar dando um mergulho nas águas poluídas das nossas praias, tomando cuidado para não pisar em cacos de vidro ou latas de cerveja espalhadas.
Iremos desembolsar uma quantidade absurda de dinheiro tomando picolés pelo preço do litro do sorvete, nos intoxicando com frutos do mar suspeitos e biscoitos da temporada anterior.
Mesmo assim repetimos esse movimento como um ritual todas as vezes que ouvimos a frase "fim de semana prolongado", ou "vai fazer sol no litoral".

E para completar nossa maratona, decidimos subir a serra todos ao mesmo tempo, repetindo o mesmo processo sofrido da descida, e ainda estaremos mais estressados, queimados e prontos para começar tudo novamente.


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